terça-feira, 18 de junho de 2019

Todo apoio ao Facada Fest!






Gosto de Rock Roll, sempre gostei, o início dos anos 80 gostar de Rock era uma clara tendência de contraponto na Cultura de Massa, que sobrevivia a Ditadura Militar, como as novelas da Globo e seu famigerado Jornal Nacional. Falar de Rock Roll é falar de cultura de resistência sempre, mas naquela época tinha uma MPB que respirava democracia e ia as ruas, gosto de Rock, mas a luta política me embebia de outras formas de músicas de protestos, “Que País é esse?” virou um hino de uma geração que tomava Coca Cola sem muito alarde, sem muito pânico, apenas sobrevivia as tardes quentes e as chuvas longas, querendo descobrir seu caminho.

Gosto de Rock Roll, por que ele em sua natureza é sofrimento, é sangue e é luta política!

O Rock Roll tem muitas ramificações, tendências e correntes, assim com a própria sociedade que o pariu, mas ele também tem aqueles corajosos roqueiros que moram na perifa e lutam todos os dias para se manter vivo no cenário do Rock, no Pará esse cenário ainda é bem pior, pior é que é mesmo! Logo nosso apoio vem sempre com a organização de eventos, que podem até parecer pequenos, as bandas locais sempre vão pelo compromisso de tocar, de dizer suas canções de protesto e acima de tudo, por que querem compartilhar seus cantos e seus sons para que todos possam lutar por dias melhores!

O Rock Roll é contestação, não tem medo de ser politicamente correto, ele que apenas transgredir, agitar e transformar!

Nunca tivesses espaços dedicado ao Rock, tivemos nossas porradas, diferenças e divergências, nada que uma boa briga não resolva, sim somos assim, quando não conseguimos nos entender, vamos bater cabeça com cabeça, rostos com punhos, barrigas e coturnos, seja como for o Rock Roll é dor, sofrimento e esperança, e ainda é assim, algumas bandas novas não entende ainda a necessidade de se questionar o sistema, de mandar tomar no cú ou se fuder, sem que isso seja ruim, apenas o é, e assim o Rock segue na estrada, nos becos e nas ruas e praças.

Eder Mauro vai tomar no cu sim!

Isso nem de longe é um xingamento Rock Roll (imagina os roqueiros cantando evidências e sendo filmado) mas esse FDP, merece mesmo é se fuder, são anos de luta para colocar qualquer evento na rua, olha que com o Rock Time, já ajudei a produzir muitos eventos, e todos eles no final acabamos por tirar dinheiro do bolso, não fazemos eventos para ganhar dinheiro, nunca fizemos e nunca ganhamos nada, só a felicidade de bater cabeça, fumar um e beber para caralho!

Sim gostamos de Rock, mas somos de onda, lutamos desde os primórdios do Rock para ganhar espaço, leitura e critica, e não será essa merda de cabelo de cuia, que vai dizer onde e quando vamos nos reunir e tocar o velho e bom Rock Roll!

O Facada Fest vai rolar e estaremos todos lá em busca do sagrado Rock Roll, e que venha quem vier, vamos curtir a noite toda, e terá, rock, botinada e  motins políticos, afinal o Rock é a nossa maior ferramenta de luta e de protesto!

Marcelo Bastos

domingo, 16 de junho de 2019

Três gerações de Comunistas!


Boa Noite..

O Blog Dilacerado recebeu um pedido do camarada Newton Pereira, companheiro de longa data, dos anos iniciais da luta comunista e do Editor do Blog, Marcelo Bastos, com um pedido desse, nos comunistas paraenses nos orgulhamos de publicar no Dilacerado, obrigado Newton e seja bem a luta Maria Helena!

Maria Helena!

O 15 de junho não foi por acaso para ser o dia da chegada da Maria Helena em nosso meio. Esse dia poucos sabem, mas em Belém, é o dia do operário da construção civil, e durante a década de 70, o operário Zezé e seus companheiros e camaradas, conquistaram esse direito junto a Delegacia do Trabalho em plena ditadura militar.

Maria Helena vem nascer entre os dias 13 e 16, números simbólicos da esquerda brasileira, logo, neta de socialista, irá aprender que respeito é um princípio ético, e não um simples gesto simbólico de continência.

Também irá aprender que privilégios não pode ser de poucos, pois quem produz a riqueza dela deve usufruir, e como é a classe trabalhadora que a produz, a ela deve ser estendida. Maria Helena chega para fazer a diferença e aumentar as fileiras de quem acredita que um mundo melhor é possível para além do capital.

Professores Rafael da Silva Queiroz (Pai) e  Luiz Miguel (Avô)  

quarta-feira, 22 de maio de 2019

15M o despertar da força?



O 15M foi um dia especial, não somente pela quantidade de pessoas nas ruas em todo país, mas, sobretudo, por trazer a todos um sentimento que as batalhas ainda podem ser vencidas, o mesmo sentimento do movimento do “Ele Não”, e as questões subjetivas ainda, de certa forma, são as que devemos nos ater, cuidar e crescer. Digo isso, não com a “alma lavada”, mas com a esperança de quem ainda acredita. E mesmo na mais tenebrosa realidade, se arrisca a sonhar!

Contudo, politicamente, os avanços obtidos ainda são apenas reações mecânicas e automáticas aos ataques que os explorados sofrem todos os dias após o impedimento da Dilma, é preciso afirmar ainda que foi golpe, um sinistro atentando a jovem democracia burguesa que tanto a esquerda defende como um valor universal e não um conflito de classes, só por essa simples comparação já deveria deixar atento qualquer incauto, mas isso não ocorre.

Essa combinação de esperança e ideologia reversa são a realidade que os comunista se deparam e com ela que devemos trabalhar, obviamente que os caminhos que os comunistas devem seguir não é algo fácil de explicar ou muito menos de se entender, a realidade desde a queda do Muro de Berlim e da restauração capitalista no Leste Europeu ainda não é compreendida como um processo retrógado na história humana, apesar da realidade nos mostrar isso de forma pulsante e destruidora, as guerras, a fome em larga escala e a super exploração são apenas sintomas de uma grave doença que o Capitalismo vive, e que a esquerda no mundo todo tenta desesperadamente curar, nós comunistas, queremos ver essa doença avançar e levar a morte do sistema.

Por isso o 15M deve ser visto com preocupação e orgulho, preocupados com a possibilidade dessas direções traidoras, lembrando o conceito trotskista ou no nosso caso conceitualmente falando da esquerda ursinhos carinhosos, pois a medida que conseguimos realizar grandes mobilizações ainda sim, os setores fascistas conseguem avançar com seus planos, reafirmando a violência com método e atacando ferozmente os poucos e escassos direitos que os explorados ainda mantém.

Esse processo de avanço do fascismo no Brasil ainda nem sequer começou, estamos ainda no processo de transição da democracia burguesa para o totalitarismo, a retirada dos direitos é apenas o pretexto para se radicalizar a posição dos facínoras, logo as mobilizações como as do dia 15M são motivos de agressões, como deliberadamente Bolsonaro disparou, chamando de “idiotas uteis”, enquanto toda esquerda assimila isso como uma palavra de ordem dita por um imbecil, os comunistas devem aprender que essas atitudes demonstram não somente a insanidade de um homem, mas a própria esquizofrenia sistêmica do Capitalismo se manifestando, pois não acreditamos em atos individuais, mas sim na complexa lógica do sistema e de suas infindáveis formas de exploração.

Esse processo de orgulho e do despertar da força das mobilizações não é um fato isolado, isso ocorre no mundo todo, com maior ou menor intensidade, dependendo das estratégias que o julgo do capital utiliza, e aqui não é diferente, a medida que as massas ganham as ruas, suas esperanças se elevam, contudo temos um desafio maior, superar as barreiras construídas pela esquerda ursinhos carinhosos, pois eles querem canalizar essa manifestações para o campo eleitoral, desgastar o governo central e o parlamento, para então no próximo processo eleitoral arrancar uma vitória ainda incerta.

Os atos de ontem não tiveram como tema central a liberdade de Lula, isso por si, é uma contradição inglória da esquerda ursinhos carinhosos, esse processo de luta política engendrada sem a luta pela liberdade imediata de Lula reduzindo a luta a um processo simplesmente econômico e não político, o que nos leva a um beco sem saída, se por um lado a luta sendo canalizada para o processo eleitoral sem o seu maior trunfo! Lula trancafiado era e ainda é a melhor esperança desses setores, por outro, não colocar na pauta a liberdade de lula, pois muitos setores que ontem foram as ruas, apesar de acreditarem que a prisão de Lula é ilegal, não veem com bons olhos a mescla da luta econômica com a luta política, esses setores médios, concentradas ainda na defesa de privilégios das classes medianas, em processo de proletarização constante, nos remetem a um enorme obstáculo para superar o avanço dos setores fascistas na sociedade.



Sim, mas foi um dia de festa, a luta é apenas secundária, ontem todos, inclusive os comunistas foram as ruas para celebrar que ainda podemos ter esperança, mas se não alinharmos nossas esperanças com ações concretas de organização de poder dual, nossas marchas serão apenas passeios públicos, não adiantar discutir sobre a questão de como quebrar nossas correntes, e sim como podemos dar um passo na organização política necessária para isso, logo temos dois movimentos agora, um é a rearticulação de um campo progressista, que supere o julgo eleitoral e o segundo é o da propaganda comunista, essas duas tarefas se estabelecem em torno da vanguarda que surge nesse momento, essa ação deve ser rápida para não contaminar ainda mais essa nova vanguarda, com as falsas promessas de reformar o sistema.

Ainda sim, o 15M foi um bom momento para respirar, temos que continuar apostando nas mobilizações de massa, nesse momento temos que fazer a propaganda comunista e ainda preparar as massas para se rebelarem contra suas direções, essa espontaneidade é imprescindível para superação da direção da esquerda ursinhos carinhosos, e ir além, e nesse momento de maduração, deve-se plantar a semente do partido bolchevique. A história mostra como isso funciona, tivemos diversos exemplos ao olhar atento da história, nossa missão ainda não acabou, nossas esperanças não estão em dias como o de ontem, ela reside na mais valia, nas contradições antagônicas do capital com o trabalho, reside na nossa capacidade de perceber o futuro como uma alternativa humana viável.

Que venham outros 15M e que os comunistas possam plantar rebeldia e conspirações!

Cametá, 16 de maio de 2019

Marcelo Bastos

sexta-feira, 29 de março de 2019

2. REFERENCIAL TEÓRICO


2.1 Aprendizado nas Organizações


Para Kanaane (1995, p. 62),

a organização é um sistema integrado de subsistemas interdependentes, havendo intercâmbios entre os respectivos elementos: clima, cultura, estrutura, sistemas administrativos. A missão, os objetivos, a tecnologia, o produto, as atividades, a própria estrutura e os trabalhadores constituem o nicho organizacional.

Pode-se entender, então, que a organização é, em sua essência, o produto da integração dos membros que a compõem, pois o resultado das mais diversas personalidades que nela interagem com os seus valores e crenças possibilita à empresa constituir uma identidade própria.
A cultura de uma organização se desenvolve na medida em que as pessoas aprendem a achar soluções para as questões internas e externas com que se deparam os sistemas sociais.
De acordo com Schein (1986, p. 56):
Cultura organizacional é o padrão de premissas básicas que um determinado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu no processo de aprender a resolver seus problemas de adaptação externa e de integração interna e que funcionam bem o suficiente a ponto de serem consideradas válidas e, portanto, de serem ensinadas a novos membros do grupo como a maneira correta de perceber, pensar e sentir com relação a esses problemas
.

Isso evidencia a presença do aprendizado humano em toda e qualquer situação da vida humana associada. Popularmente, o termo cultura se refere ao modus vivendi de qualquer sociedade e até mesmo à bagagem de conhecimentos adquiridos por uma pessoa no decorrer de sua vida, através de experiências pessoais ou daqueles adquiridos nos bancos escolares.
Para Schein (1982, pg. 12)

cultura organizacional é um conjunto de pressupostos básicos inventado, descoberto ou desenvolvido por um dado grupo, à medida que aprende a lidar com seus problemas de adaptação externa e de integração interna, que tenha funcionado bem para ser considerado válido e, assim, ser ensinado a novos membros como forma correta de perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas.

Nesse sentido a cultura assume importância a medida que se compreende a função da cultura organizacional  nos diferentes setores da organização, pois a ele compete não somente as estruturas formais de poder, mas as informações e com elas toda uma sorte de elementos que permite distinguir as ações diária dentro da organização
Para Srour (1998, p. 56)
a cultura organizacional forma um sistema coerente de significações e funciona como um cimento que procura unir todos os membros em torno dos mesmos objetivos e dos mesmos modos de agir. Sem referências próprias, as organizações ficariam à mercê das convicções individuais de seus membros diante de situações novas e certamente sofreriam prejuízos dada a disparidade de procedimentos e orientações.

Ao conceituar clima organizacional, há uma necessidade de diferenciação em relação a outros conceitos que se assemelham. Clima organizacional se refere a descrições coletivas do ambiente da organização, enquanto que o clima psicológico, às vezes usado como sinônimo, é pertinente às descrições individuais dos processos organizacionais (JOYCE & SLOCUM apud BÄR, 1995, PG. 53)

2.2 O Processo de Aprendizagem Individual


Para Fleury (1995, PG. 14), “aprendizagem é um processo de mudança resultante de prática ou experiência anterior, que pode vir, ou não, a manifestar-se em uma mudança perceptível de comportamento”. O que cabe destacar é que a organização que faça a opção pelo treinamento acredita na aprendizagem individual de seu colaborador e certamente ao fazer esse tipo de investimento terá resultados futuros garantidos.
Duas vertentes teóricas sustentam os principais modelos de aprendizagem: o modelo behaviorista e o modelo cognitivista. No caso do primeiro, o foco principal é o comportamento, que é observável e mensurável, partindo do princípio que a análise do comportamento implica no estudo das relações entre eventos estimuladores, respostas, conseqüências. Planejar o processo de aprendizagem implica definir todo o processo em termos passíveis de observação, mensuração e réplica científica.
O modelo cognitivista caracteriza-se por ser mais abrangente do que o behaviorista, explicando melhor fenômenos mais complexos como a aprendizagem de conceitos e solução de problemas. Considera dados objetivos, comportamentais e subjetivos, levando em consideração as crenças e percepções dos indivíduos que influenciam seu processo de apreensão da realidade.
“A aprendizagem constitui um evento interno, não observável, inferido através do desempenho das pessoas” (LOMÔNACO apud FLEURY, 1995, p. 13). O homem aprende através de processos interativos, conduzindo experimentos e observando suas conseqüências, compreendendo e aprimorando o que aprende.
A aprendizagem humana pode acontecer de duas maneiras diferentes: a aprendizagem por descoberta a partir de uma ação e a aprendizagem por instrução. A aprendizagem por descoberta, também conhecida como aprendizagem em primeira pessoa, nos leva a um saber fazer e a aprendizagem por instrução, ou seja, em terceira pessoa, nos conduz ao simples saber.
Em primeira pessoa, a aprendizagem possibilita ao aprendiz uma compreensão do saber, pois fazendo ele pode construir o aprendizado e, com isso, pensar o seu próprio pensamento. A aprendizagem em terceira pessoa consiste numa transferência pura e simples de conhecimento, o que inviabiliza ao indivíduo a criação da sua própria opinião e de diferentes ideias sobre o mesmo tema.
Handy (1995) explica isso através do que ele chama de Ciclo de Aprendizagem (Figura 1), que pode ser visto como um círculo composto por quatro momentos: questionamentos, ideias, testes e reflexões. A curiosidade leva o indivíduo a questionar. Esse questionamento dará origem às ideias e captura de informações. Isto por sua vez, vai exigir a experimentação para a comprovação. O resultado final será alcançado depois de reflexão e análise.  Essa conclusão será questionada e o processo se reinicia, tornando-se sucessivo.


Figura 00 - Ciclo de Aprendizagem
Fonte: Handy (1995).

O aprendizado só acontece se o ciclo se processa inteiro. É a transição de um saber fazer a um saber que caracteriza a aprendizagem. Mas isso não ocorre naturalmente, ou seja, a aprendizagem só vai ter realmente acontecido quando o indivíduo for capaz, após ter feito uma reflexão sobre o assunto, de construir uma maneira própria de justificar os resultados obtidos. O aprender a aprender consiste na automatização deste processo de abstração reflexiva, levando o indivíduo à capacidade de pensar o seu próprio pensamento.

2.3 A Aprendizagem Organizacional


Entender como se dá a aprendizagem humana nas organizações é o ponto de partida para se começar a trabalhar uma questão que vem desafiando o ser humano trabalhador: a velocidade com que as mudanças acontecem versus a capacidade do indivíduo de absorver tanta informação que chega até ele.
Em outras palavras, o desenvolvimento tecnológico se desenvolve de tal maneira, que a educação humana já não tem se demonstrado capaz de acompanhá-lo. Os canais de comunicação têm se ampliado e as pessoas recebem milhares de informações todos os dias o dia inteiro. Mas muitas destas informações precisam se tornar conhecimento a fim de manterem o trabalhador capaz de desenvolver as suas atividades de acordo com o que o mundo impõe. Eis a grande dificuldade: como proporcionar ao ser humano um mecanismo que, se não zerar esta diferença, pelo menos o faça perceber-se num ritmo mais justo e realmente produtivo. Um efetivo processo de mudança vai passar, necessariamente, por um grande processo de aprendizagem.
Diversas rotinas são desenvolvidas no cotidiano das empresas. Em outras palavras, procedimentos relativamente padronizados são criados para lidar com problemas internos e externos. Estes vão se incorporando de forma explícita ou inconsciente na memória organizacional, sugerindo que o aprendizado organizacional pode acontecer de maneira acidental ou intencional. O aprendizado não acidental ou intencional geralmente começa com uma conscientização da necessidade de mudar alguma coisa ou em função de um sentimento de insatisfação. O processo de aprendizagem em uma organização não só envolve a elaboração de novos mapas cognitivos que possibilitem a melhor compreensão do que está acontecendo em seu ambiente externo e interno, mas também a definição de novos comportamentos que comprovam a efetividade do aprendizado.
Para Hedberg (apud FLEURY, 1995), as organizações podem não ter cérebros, mas têm sistemas cognitivos e memória. Garvin et al (1998) diz que o processo de aprendizado em uma organização, assim como o aprendizado individual, é composto de quatro fases: conscientização, compreensão, ação e análise.
A diferença consiste no fato de que no aprendizado organizacional estes quatro estágios representam tarefas coletivas: criar uma conscientização compartilhada da necessidade de aprender, desenvolver uma compreensão comum do que precisa ser feito, iniciar ações alinhadas com a estratégia corporativa para melhorar o desempenho e conduzir análises conjuntas tirando conclusões.
Para Senge (1990), as organizações devem desenvolver o que ele chama de cinco disciplinas fundamentais para este processo de inovação e aprendizagem. Ele se refere a elas como cinco programas permanentes de estudo e prática que levam ao aprendizado organizacional.
A primeira disciplina, chamada por ele de domínio pessoal, é a disciplina do auto-conhecimento. Significa aprender a expandir as capacidades pessoais para obter os resultados desejados e criar um ambiente organizacional que estimule a todos os participantes na busca das metas definidas.
A segunda disciplina, modelos mentais, consiste em refletir, esclarecer e melhorar continuamente a imagem que cada um tem do mundo, com o objetivo de adaptar atitudes e decisões.
A terceira é o que o autor batizou de visão compartilhada ou objetivo comum, que consiste em estimular o engajamento do grupo em relação ao futuro, elaborando as diretrizes que permitirão seu alcance.
A quarta disciplina, o aprendizado em equipe, transforma talentos e idéias individuais em coletivos, de maneira que a soma do conhecimento do grupo seja maior do que o conhecimento individual.
O pensamento sistêmico é a quinta disciplina. Integrando as demais num conjunto coerente de teoria e prática, cria uma forma de analisar e uma linguagem para descrever e compreender as forças e inter-relações que definem o comportamento de cada sistema, evitando que as demais sejam vistas e analisadas de forma isolada. O pensamento sistêmico proporciona maior eficácia nas mudanças, além de fazê-las de acordo com o que o ambiente exige.

2.4 Conceitos Relativos a Organizações de Aprendizagem



Deve-se compreender que o processo relativo a aprendizagem nas organizações passa fundamental por descobrir que:

Um pensamento de organização que não compreende a relação auto-eco-organizadora, isto é, a relação profunda e íntima com o meio ambiente, que não compreende a relação hologramática entre as partes e o todo, que não compreende o princípio de recursividade, um tal pensamento está condenado à insipidez, à trivialidade, isto é, ao erro. (MORIN, 1990, p.179.)

O trabalho pode ser caracterizado como o resultado da ação intencional dos homens sobre a natureza. Este processo reproduz um dilema, onde por um lado possibilita inovações científicas, tecnológicas e organizacionais, mas por outro demonstra o quanto o homem foi transformado em mero objeto das relações de trabalho.
Atualmente, a tecnologia determina os processos e a organização do trabalho e isso de certa forma coloca a figura humana em segundo plano. A objetividade científica e da tecnologia se tornaram indiferentes a certos critérios éticos. A Escola das Relações Humanas de Elton Mayo (apud HERSEY et al, 1995) afirma que além de se procurar os melhores métodos tecnológicos para aumentar a produção, é fundamental a preocupação com a questão humana. Em outras palavras, sustenta que os verdadeiros centros de poder numa organização são as relações interpessoais que se desenvolvem no ambiente organizacional.
Schein (1982) diz que para se compreender como as organizações funcionam, é necessário, em primeiro lugar, compreender como funcionam as pessoas nessas organizações. Com a mudança das oportunidades e desafios empresariais, as pessoas estão mudando os processos de trabalho, as suas relações, o seu relacionamento com as tecnologias e mesmo os valores e as direções adotadas. Assim, a flexibilidade torna-se mais do que uma necessidade em um tipo de vida em que tudo se transforma rapidamente.
A organização de aprendizagem consiste em um modelo que eleva o papel do ser humano nas organizações envolvendo seus corações e suas mentes num processo de aprendizado e de mudança contínuo, harmonioso e produtivo, sendo projetada para atingir os resultados desejados através da enorme força criativa de cada um dos indivíduos comprometidos com tal organização.
Senge (1998) define uma organização de aprendizagem como aquela na qual as pessoas aprimoram continuamente suas capacidades para criar o futuro que realmente gostariam de ver surgir. Ele afirma em relação a isto que a tecnologia não tem um impacto tão grande assim, afinal as mudanças nessa área sempre estiveram relacionadas com as pessoas e não com a tecnologia.
Uma pessoa pode até receber mais informações graças à tecnologia, mas se não possuir as capacidades necessárias para aproveitá-las, não adianta. Segundo Bartlett et al (1998), a era do planejamento estratégico está se transformando rapidamente em era do aprendizado organizacional. Um estudo realizado por eles durante seis anos, envolvendo vinte empresas que passaram por uma transformação profunda para se tornarem um modelo de organização capaz de sobreviver, evidenciou três características presentes em todas as empresas estudadas: o foco nos melhores funcionários, os fluxos horizontais de conhecimento e a cultura de confiança.
Numa economia baseada em serviços e na era da informação, o recrutamento e o desenvolvimento de pessoal tornaram-se funções fundamentais. Essas atividades podem ser consideradas atualmente como o âmago da competitividade de uma empresa. Por isso, a função de recrutamento é acompanhada pelos próprios executivos da empresa da alta administração e o tempo despendido para isso não é mais mínimo. Manter estes funcionários especiais também é tarefa fundamental e constante.
Além desta poderosa ferramenta, a caça a pessoas especiais, existe também a necessidade da criação de um fluxo horizontal de conhecimento que consiste na montagem de canais de comunicação que facilitem a distribuição rápida de informações estratégicas.
A organização voltada para o aprendizado precisa ser capaz de transferir, compartilhar e alavancar conhecimentos e experiências fragmentados. Outra característica encontrada, a cultura baseada na confiança, é de grande importância para que as pessoas troquem estas informações e experiências que antes constituíam sua fonte de poder. Mas para criar esta cultura é exigido que um conjunto autêntico de valores e crenças comuns unam os vários membros da organização
Além das pessoas e da produção, existe uma terceira dimensão: a plenitude. Esta constitui a mola mestra deste novo modelo de organização, ou seja, uma cultura organizacional holística. As organizações e através delas as tecnologias, devem contribuir para que o homem atinja plenamente o seu potencial, o seu destino de maneira inteira e completa. Além de se apresentarem como uma grande escada para o sucesso do homem, as organizações podem contribuir para devolver a dignidade ao trabalho humano.